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sábado, 26 de maio de 2012

CUBERTA DE MULAMBO

Este é o meu poema que o Tunico Moura sabia de cor. Acho-o muito longo para as mídias eletrônicas (e para ser decorado). Mesmo assim, decidi postá-lo, já que temos falado muito em Linguagem “Caipira”. Seria também uma homenagem ao Tunico e, já que estamos em maio, "mês das mães", a todas as mães sertanejas. Catulo da Paixão Cearense, Patativa do Assaré e tantos outros já registraram muito bem o jeito de falar e de pensar do homem do campo. João Guimarães Rosa, Manoel de Barros e Romério Rômulo já atingiram a perfeição no uso criativo desta linguagem. Então fiz este poema (um metapoema, na verdade), fazendo uma passagem da linguagem sertaneja para a Linguagem Padrão. Veja o efeito disto. 


CUBERTA DE MULAMBO

A muié do sertanejo, pur pricisão,
sabe tudo apruveitá.
Até memo os resto de ropa,
os carção qui furô nas popa,
ela gosta de guardá.

Dispois, cuma tisora,
tira as gola, as fralda e as barra,
qui é as parte mais dura,
muito cheia de custura,
qui num rasga nem na marra.

Do saco de retaio faiz a tuia
e, dispois, nas forga do trabaio,
ela num discansa nem imbruia:
vai rasgano os retaio.
Pede pra num arrepará
e, inquanto vai prusiano,
rasga o verbo e rasga os pano.

E quando o saco de retaio já tá bem cheio,
ela junta cuns nuvelo de linha
de argudão ganga, ô branco, ô vermeio,
ô de quarqué cô, de tinta de latinha,
ô tingido cum anil, qui mandô rancá
e leva tudo pra tecedera qui tem um tiá.

E a tecedera tgece fio pur fio,
pra num dexá ninhum bambo.
Trabaia, trabaia a fio
até tecê a cuberta de mulambo.

É uma buniteza qui num tem tamãe:
os mulambo qui num prestava mais
vai sê um agrado pra cumade ô pra mãe,
agora na forma de cuberta colorida.
Ô intão vai isquentá, no frio do gerais,
os fio do sertanejo, pur toda vida.

Se a muiá dá a cuberta pra arguém lá da roça,
aí ela vai imbuiá arguém, numa paioça,
qui é pra isso qui serve uma cuberta:
Cubri arguém quando o frio aperta.

Mas, se pur um acaso ela é dada de agrado
pra uma muié rica que veio da cidade passiá,
ah, intão ispia só qui pecado,
ela fica na parede, ô no chão pros ôto pisá.
Cum a maiuria fazeno pocaso,
dizeno qui a cuberta é sinale de atraso.

Ah, mas vorta e meia argém recorda cum prazê
de tudo qui acunteceu pra fazê uma cuberta.
Rasgá retaio, fiá argudão, levá pra tecê.
Até os pedaço da camisa qui comprô pra festa
tá ali, ajudano no feitio do agasaio.
Agente 'té isquece o tanto qui deu trabaio.

De veiz im quando a gente vê falá
de arguém qui foi pra cidade istudá,
qui já até tirô o quarto ano,
e, memo assim, segue istudano
e se aprepara pra casá
cum rapaiz qui tamém já tá formano.

Pois é essa moça, formada e bela,
qui toda noite pede pra Dona Rosa,
a dona da pensão onde ela posa,
pra num dexá de pô na cama dela
uma cuberta de mulambo, bem grossa,
iguale as qui ela usava na roça,
pois só consegue durmi cum ela:
nem siqué cuchila, minha Nossa,
sem os caroço de mulambo nas custela.

E eu
filho do meu sertão
vivi suas belezas penúrias intrigas
ouvindo suas histórias com atenção
ajudando minha mãe
a rasgar molambos
fui me envolvendo com outras vidas
engolido pelo sistema.
Me deslumbrei com outros lemas outras lidas
frequentei escolas me dessestruturei me decepcionei sofri
me reencontrei fui feliz relutei resisti -
“foi peta”: acabei virando poeta.

Hoje
nesta outra sofrida função
de juntar versos rijos aos bambos
vejo
que na minha transformação
fiquei feito um tecelão
de cobertas de molambos.

                                                ---oOo---

quarta-feira, 23 de maio de 2012

MG-415 Asfalto Já - Projetos de Engenharia do Programa Caminhos de Minas em Andamento

Vários Projetos de Engenharia do Programa Caminhos de Minas, do Governador Antônio Anastasia, passaram neste mês ao status de "Em Andamento", em "Revisão" ou "Concluído". Inicialmente o programa "Carro Chefe" do atual Governo de Minas Gerais lançado em meados de 2010, visava atender a 221 Municípios, mas ao longo dos dois anos que se passaram foram incluidos mais algumas cidades e atualmente pretende beneficiar cerca de 303 Municípios.

O asfaltamento da MG-415 no trecho que liga Morada Nova de Minas à BR-040 (conhecido como estrada da balsa) é um sonho antigo da comunidade daquela cidade e sem sombra de dúvida seria o maior passo rumo a desenvolvimento do município conhecido por ser a terra do gás natural, mas que também tem enorme vocação e potencial para o turismo ecológico que poderá ser explorado a partir da facilidade do acesso.

A cidade, que ficou esquecida por mais de meio século (desde a sua inundação quando da construção da Hidrelétrica de Três Marias até a descoberta do Gás Natural), foi incluída no Programa Caminhos de Minas, levando esperança de melhoria na qualidade de vida do seu povo com a expectativa de progresso e desenvolvimento através do asfaltamento dos 38 km de estrada de terra que serparam o município da BR-040, mas, mais uma vez vai sendo deixada de lado. Por que será? Por falta de sensibilidade das autoridades superiores ou por incompetência das autoridades locais?

Até quando vamos ficar a ver navios, ou melhor, a ver balsas e poeira ou lama?




segunda-feira, 21 de maio de 2012

Juristas aprovam inclusão de crimes cibernéticos no Código Penal

Brasília – Usuários da internet que usarem perfis falsos em redes sociais ou correspondências eletrônicas (e-mails), por exemplo, poderão ser enquadrados como crimes de informática passível de seis meses a dois anos de pena de prisão. A pena integra o elenco de propostas de aperfeiçoamento do Código de Processo Penal, sob a análise de juristas nomeados pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O resultado desse trabalho será encaminhado para a análise dos parlamentares na forma de um anteprojeto de lei ainda neste semestre. A proposta, aprovada em reunião da comissão de juristas, hoje (21), prevê o aumento de um terço da pena se, pela internet, o perfil falso causar prejuízos a terceiros. O relator da comissão, procurador Luiz Carlos Gonçalves, acrescentou que os hackers, especialistas em informática capazes de modificar programas e redes de computadores, merecerão um capítulo à parte no anteprojeto.

Recentemente, a atriz Carolina Dickman teve fotos íntimas veiculadas em páginas da internet. Casos como esse terão pena de dois anos de prisão acrescido em um terço pela utilização da rede mundial de computadores. Os juristas ainda analisam a penalização de crimes mais graves, como o acesso indevido de dados comerciais protegidos.

Os juristas também aumentaram penas para qualquer pessoa que, de posse de informações de processos judiciais que correm em segredo de Justiça, sejam divulgados à imprensa. A quebra do segredo de Justiça – como sigilos fiscal, telefônico e bancário – pode passar de dois a quatro anos de prisão para dois a cinco anos de prisão.

"O foco da criminalização não é o trabalho da imprensa que noticia um fato que chegou ao conhecimento dela. O regime constitucional de liberdade de imprensa, de proteção do sigilo da fonte, nos impediria de agir de forma diversa", disse o relator da comissão de juristas. Luiz Carlos Gonçalves ressaltou que esse tipo de crime já está previsto na Lei de Interceptação, mas a ideia é tipificá-lo no Código Penal. Pelo que foi aprovado hoje, caso os dados vazados sejam veiculados em meios de comunicação, a pena de dois a cinco anos será aumentada em um terço.
 
Outro tema apreciado na reunião foi a corrupção no setor privado. O procurador Luiz Carlos Gonçalves disse que a lei atual prevê o crime nesse setor somente quando existe o envolvimento de funcionário público. A proposta é tipificar, por exemplo, o funcionário do setor de compras de uma empresa privada que recebe vantagem indevida para beneficiar determinado fornecedor. "Estamos adequando nossa legislação ao parâmetro internacional de corrupção privada", observou o relator da comissão de juristas.

Fonte: Agência Brasil

- Dei e Dô, e Bem -

Além das mangas, abacates, goiabas, cajus, bananas, cidras, Cidas, Stelas, Fátimas, Ritas, Marias, Madalenas, Telmas, Tânias, Terezinhas e outras Zinhas - para citar só um gosto, coisa boa que Morada Nova dá são os apelidos.

Tem apelido pra todo mundo. Alguns são até uma boa recomendação: Chico Bão. Mas há outros que não recomendam muito bem o dono: Pedro Ruim (mesmo sabendo que ele era gente boa).

Tem apelido que dá até vontade na gente de ter: Bom Minino, Badalo...

Às vezes a história da origem do apelido é tão boa quanto o próprio. Às vezes, até melhor. Mas há muitos deles que não têm ou já foi esquecida a origem. É o caso do tocador de baixo da banda da terra. Ele se chama Geraldo, mas, não se sabe porque, tem o apelido comprometedor de Dei.

Outro apelido ruim de falar vem de Abaeté e tem uma história comum: é uma redução do nome. O dono dele se chama Salvador. Coloquialmente, o povo diz Salvadô. Em casa, ficou sendo Dodô. Com mais uma redução o apelido ficou mais interessante que a sua origem comum, por comprometer a todos que o pronunciam: Dô.

Imaginem se estes dois resolvessem formar uma dupla de violeiros. Quanto constrangimento para os apresentadores que fossem anunciá-los:

- Dei e Dô! Vamos aplaudir!

Uma saída seria o disc-jóquei procurar cumplicidade, comprometendo também a platéia:

- Com vocês, Dei e Dô!

Voltando ao jeito coloquial do povo falar, imaginem o sofrimento dos sobrinhos destes dois. Os mineiros reduzem a palavra Tio a um “Ti”, colado ao nome. Daí já se pode ver os coitadinhos exclamando “Ti-Dei! Ti-Dô!”

É bem verdade que tem gente que não se importa. Há até quem goste de chamá-los assim, mesmo sem ter qualquer parentesco com eles. Mas preferência é preferência e gosto não se discute. Por isso, deixem os senhores Geraldo e Salvador (uma dupla de quem não dá pra falar os apelidos) para lembrar um outro moradense de apelido complicado - o Bem.

Não se sabe a origem deste apelido, mas é certo que ele já provocou muito ciúme na mulher dele, afinal, ela tudo bem, mas toda hora vir alguém chamando-o de bem...

Estão rindo, não é? mas já pensaram que suas mulheres (ou mesmo seus maridos) também o tratam assim?

Conforme já foi dito, não é conhecida a história desse apelido, mas tem uma história que nasceu dele.

Era o casamento do Itamar da Da. Rita do Alvimar. Algumas pessoas estavam reunidas para irem juntas para a festa. Entre elas, o Manuel e o bem... Aliás, o Bem.

Este, porém, resolveu ir rompendo. Ao sair, pediu ao Manuel que avisasse aos companheiros que se encontrariam lá na festa.

Foi aí que chegou o Moacir. Fez a cortesia de cumprimentar todo mundo, pegando na mão de cada um. Conversou um pouco. Fez suas caçoadas. Ouviu uns caçoos. Riu grosso, depois disse que já tinha de ir, pois precisava pegar o bem para ir à festa do casamento.

O Manuel, atencioso como é, correu em explicar que o Bem mandou avisar que já tinha ido e ia encontrar todo mundo lá. O Moacir exclamou meio perguntando um Ah, é?, deu um risinho e ficou por ali. Daí a pouco, ele vem de novo dizendo eu já vou, pra pegar o bem pra ir à festa. Já meio encabulado, mas sem perder a finura, o Manuel tornou a repetir o recado: Ele mandou falar que já foi... Que encontra com a gente lá...

“Seo” Moacir ficou um pouco impaciente. Puxou a calça pra riba. Enfiou a mão dentro, consertando a camisa com pressa. Virou de lado e falou pra primeira pessoa que encontrou: Eu vou buscar o bem...

A esta altura, a timidez do Manuel já era vergonha. Ele ficou vermelho, pensando que ia ter que falar alto, mas não podia deixar a peteca cair. Puxou o ombro do Moacir e respirou fundo pra repetir o recado.

Não foi preciso: Seo Moacir já virou falando e esclarecendo o mal entendido:

- Eu vou lá na MINHA casa, pegar o MEU bem, pra a gente ir pra festa.

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