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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"QUIJATEVE"

Gostava de repetir, fazendo graça. Genipapo. Geni tem papo. Comer a lixa do genipapo dá papo. Depois, argumentava. Até que é bom acreditar nisso. Assim, ninguém come aquela lixa, que comer um trem tão lixento daqueles deve mesmo de fazer algum mal. Mas papo não dá não. Bobagem. O povo diz isso deve ser porque o genipapo tem esse nome e mesmo porque ele lembra um papo. Quando está maduro então, todo mucho e enrugado, remeda direitinho um daqueles papos bem graúdos e erados.

(“Erado”... tinha falado essa palavra com um neto noutro dia e ele falou: “Vô, erado é irado, véio!”)

E continuava contando. Sô, tinha gente papuda demais. Só nunca tinha visto gente de quatro papos, mas de um, de dois, e de três, tinha visto de todo jeito. Desde um coquinho assim, até coco da Bahia. E o povo inventava cadas caso!

Dizem que uma vez uma família pediu pouso numa casa. Que era um menino com um papinho, a mãe com um papo e o pai com um papão. E que de noite eles roncavam falando os cocos que cada um tinha: “Parmito”. “Gariroba”. “Jiribá”. E que uma vez, numa cidade EM que todo mundo era papudo, chegou um homem sem papo. E que tudo mundo ria dele. Do aleijão dele.

Não, os papos acabaram, não é porque acabaram os muitos matos não. Foi porque puseram iodo no sal. “Sal iodado”, não está escrito assim em todo pacotinho de sal? Pois é, o que combate o papo é o iodo. Lembra que a água de Morada Nova era muito pura, sem mistura? Então, nem iodo tinha. Sem lama, sem lodo. Sem lodo, sem iodo. O iodo é feito do lodo. Achava. Lá pras bandas das Areias nem dava lodo: era arenoso. É por isso que tinha tanta gente papuda.

O mais famoso deles? Não lembrava dele não. Lembrava do medo que já tivera dele. É... ele era um dos mais usados pelos adultos pra fazer medo nas crianças. Era só falar olha o João Papudo que menino birrento tomava jeito na hora: ia já-já tomar banho, escovar os dentes, pra escola, fazer os deveres, cumprir a obrigação, caçar serviço, dormir cedo...

Tinha sempre que lembrar que, dizem, uma vez ele apareceu lá na casa onde morava, de repente. Passeando. E que, quando escutara falar que era o João Papudo que estava lá, tinha tratado de correr pra debaixo da cama. E, quando a curiosidade venceu o medo, saído de lá e ido ver. Mas ficado na sala-de-janta, olhando de meia-cara, feito mico-estrela por detrás do pau, no portal da porta que dava pra sala-de-visita, onde ele conversava. E que diziam também que ele usava a camisa abotoada até no gogó e tinha uma voz fina, tudo por causa do papo.

O povo contava, ainda, que uma vez ele danou pra casar com uma mulher e que ela falou com ele que até que casava, mas só se ele tirasse aquele papo. Pois não é que ele sumiu cá pra Itaúna, a pé, a cavalo, de trem, ou...Quem sabe lá?! E voltou sem o papo. Ainda usava a camisa no gogó, mas era por causa do costume... E da cicatriz. Mas ela não casou com ele não. E quando alguém caçoava dele, ele ia logo falando que não casei mas valeu a pena, pelo menos fiquei sem o papo.

O que nunca sabia dizer era se gente grande também tinha medo dele. Mas, garantia, o certo é que, pelo menos respeito tinham. Pelo sofrimento, pela bravura e pela brabeza dele. De modos que, uns para os outros, diziam “o João Papudo”. Mas, para ele, o máximo de apelido que arriscavam era “ O Que Já Teve”.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Custo elevado trava extração de gás em Minas

FONTE: Hoje em Dia (MG)

 Consórcio Cebasf, que anunciou localização de reserva, busca parceiros.

O consórcio Cebasf, composto pela estatal estadual Codemig e pelas empresas privadas Orteng, Delp e Imetame, esbarra no alto custo de extração do gás natural no bloco 132, em Morada Nova de Minas, na Bacia do São Francisco, para iniciar a produção comercial. Para resolver o problema, o Cebasf vai iniciar, entre este mês e fevereiro, conversas com outras companhias que procuram o combustível na região para dividir os gastos, cujos valores não foram informados. O consórcio também aposta na possibilidade de descobrir reservas em outros blocos próprios (120 e 127) para viabilizar o processo.

Na Bacia do São Francisco, a formação geológica faz com que o gás fique armazenado em pequenos poros nas rochas. A taxa de porosidade das rochas da região gira em torno de 2% e faz com que o gás seja chamado de "não convencional". No chamado gás "convencional", a taxa chega a 20%.

Para extrair o gás "não convencional" retido nos poros, é preciso injetar um líquido com areia em alta pressão no reservatório para fraturar a rocha e libertar o combustível. Este processo encarece a extração, mas Macedo não detalhou valores.

Nas rochas que armazenam o gás "não convencional", de acordo com o diretor de Óleo e Gás da Orteng, Frederico Macedo, não são encontrados bolsões de gás. "Apesar de o processo de extração ser mais difícil, a possibilidade de encontrar mais gás no local do que o previamente estimado é grande. Com menor porosidade, o gás não escapa", diz. Os estudos da área apontavam para um volume estimado entre 176,5 bilhões de metros cúbicos e 194,6 bilhões de metros cúbicos, o que representa uma capacidade de produção para 25 anos. A área já estudada teria potencial para gerar, por dia, entre sete e oito milhões de metros cúbicos de gás, o equivalente a 20% do fornecimento do gasoduto Brasil-Bolívia.

Embora o volume seja enorme, no Brasil, de acordo com o diretor da Orteng, não existem empresas com tecnologia e equipamentos adequados para fazer o fraturamento das rochas. Além disso, segundo ele, as empresas que atuam no segmento, a maioria com sede nos Estados Unidos e Canadá, onde o gás não convencional é explorado há mais tempo, não viriam ao país para trabalhar em um único poço.

Enquanto as empresas que atuam na região não entram em consenso sobre a divisão dos custos, o Cebasf aguarda a aprovação de um prazo de extensão para explorar o bloco 132.0 prazo inicial venceria amanhã. No entanto, em novembro foi enviado um pedido de prorrogação à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que terá, a partir do vencimento, 30 dias para analisar. "Não temos a menor intenção de devolver o bloco. O gás encontrado no local é comercial", garante Macedo.

Conforme Macedo, assim que o processo de fraturamento for iniciado, a previsão é de que, em menos de um mês, seja possível explorar comercialmente o gás.

Publicação: Gás Brasil

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cebasf pede prazo para explorar gás natural

Consórcio procura fornecedores.
LEONARDO FRANCIA.

O consórcio Cebasf, detentor de jazidas de gás natural na bacia do rio São Francisco, em uma área próxima de Morada Nova de Minas, na região Central do Estado, estima que as reservas no bloco podem chegar a quase o dobro dos números já divulgados, de 176,5 bilhões a 194,6 bilhões de metros cúbicos. Além disso, o consórcio está em fase de prospecção de fornecedores dos equipamentos usados no tipo de perfuração necessário no subsolo do local, que inclui uma fase de "fraturamento".

O diretor comercial da Orteng Equipamentos e Sistemas Ltda, operadora do consórcio, Ricardo Vinhas, explica que o grupo de empresas detentoras das reservas pediu a prorrogação do prazo de exploração, após a confirmação do dimensionamento da jazida, exatamente para ganhar tempo para a prospecção de fornecedores internacionais.

 Tivemos que fazê-lo para prospectar fabricantes dos equipamentos necessários para o tipo de perfuração que será feito no local. Não existem fornecedores nacionais e, por isso, teremos que buscar parceiros no exterior. Isto está longe de afetar os planos de exploração comercial da jazida", afirma Vinhas.

Projeções - Segundo ele, aproximadamente 35% do gás natural explorado e utilizado no país são provenientes de explorações no mesmo tipo de subsolo encontrado em Morada Nova. Vinhas revela que o consórcio estima, inclusive, que as reservas podem chegar a praticamente o dobro dos valores já informados ao mercado.

Os números já divulgados pelo consórcio dão conta de que o volume de gás natural encontrado em apenas uma pequena parte (400 quilômetros quadrados), do total da área de 2,9 mil quilômetros quadrados no local, varia de 176,5 bilhões a 194,6 bilhões de metros cúbicos.

Somente com a exploração comercial do gás encontrado nesta parcela da jazida, o consórcio projeta um faturamento de R$ 5 bilhões. No total, em toda a área, a estimativa inicial é de que a reserva chegue a 8 milhões de metros cúbicos/dia, o que equivale a quase 30% dos 28 milhões de metros cúbicos de gás natural fornecido diariamente pela Bolívia por meio do Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).

Leia matéria completa: Diário do Comércio

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

As riquezas encontradas no subsolo mineiro


Que o gás existe, existe. Há décadas que os moradores da região do Remanso do Fogo assam surubim no gás que brota da terra. O que demorou foi o início da exploração comercial. Uma enorme região na bacia do rio São Francisco foi demarcada e as respectivas concessões, leiloadas. Saiu na frente um consórcio de empresas, do qual participa o Governo de Minas, por meio da Codemig. No primeiro poço, o primeiro alarde: tem meia Bolívia de gás natural no bloco 132, em Morada Nova de Minas.
 
A notícia deve ter levado muitos empreendedores a retirarem projetos da gaveta. Com gás, a região vai se enriquecer. Hotéis, comércio, prestadores de serviço, proprietários de terra, todos soltaram foguetes. Sinal de novos tempos, de um novo eldorado.
 
Ao fato, seguiu-se uma intensa prospecção de gás e petróleo pelas estradas do Norte de Minas, o que chamou mais ainda a atenção do povo. Afinal, equipes vestidas com macacões vistosos da cor laranja, como os da Petrobras, capacetes e veículos do ano, como nunca ainda se tinha visto na região, vasculharam até os rincões. Colocaram estacas a cada 50 metros, todas com um código numerado, mesmo nas estradas de mais difícil acesso. Em seguida, outra turma vinha com equipamentos de GPS e fiação, provocando sismos na terra e armazenando os dados no computador. Os operários falavam em um supercomputador, capaz de processar todos os dados, online, mas não se sabe sua localização. Na região é que não era.
 
É, portanto, estranho, quando agora o consórcio que descobriu a meia Bolívia de gás vem a público informar que a exploração daquela riqueza esbarra no alto custo de extração, conforme publicamos nas edições de domingo e de hoje. O consórcio chegou a solicitar mais prazo para definir pelo empreendimento à Agência Nacional do Petróleo.

Veja matéria completa...